Veterinário No Cambuci
maio 18, 2026Dermatite Atópica em Cães
junho 2, 2026
A alergia em cães e gatos é uma das enfermidades dermatológicas mais frequentes na medicina veterinária de pequenos animais. Trata-se de uma condição inflamatória crônica que possui forte influência genética e afeta milhões de animais em todo o mundo. Assim como ocorre em seres humanos, o sistema imunológico de alguns pets pode reagir de forma excessiva a determinadas substâncias presentes no ambiente ou na alimentação, desencadeando uma série de manifestações clínicas que comprometem significativamente sua qualidade de vida.
Os agentes responsáveis por provocar essas reações são chamados de alérgenos. Eles podem estar presentes em diversos locais e situações do cotidiano do animal. Entre os mais comuns estão ácaros da poeira, pólens, fungos ambientais, picadas de pulgas e outros ectoparasitas, além de determinados componentes alimentares, especialmente algumas proteínas presentes na dieta. Quando um animal sensível entra em contato com esses agentes, seu organismo pode desenvolver uma resposta imunológica exagerada, resultando em inflamação persistente da pele.
O principal sinal clínico associado às alergias é o prurido, termo utilizado para descrever a sensação intensa de coceira. Em muitos casos, essa coceira pode ser constante e severa, levando o animal a se lamber, morder ou esfregar repetidamente determinadas regiões do corpo. Além do prurido, também podem ser observados sintomas como vermelhidão da pele, descamação, aumento da oleosidade, odor desagradável, falhas na pelagem, queda excessiva de pelos e infecções recorrentes na pele e nos ouvidos.
É importante destacar que nem toda coceira é causada por processos alérgicos. Diversas outras doenças podem apresentar sintomas semelhantes, incluindo infecções bacterianas, infecções fúngicas, alterações hormonais, parasitoses e diferentes tipos de sarna. Por esse motivo, a avaliação clínica realizada por um médico-veterinário é fundamental para identificar corretamente a origem do problema e estabelecer o tratamento mais adequado.
As formas de alergia mais frequentemente diagnosticadas em cães e gatos incluem:
- Dermatite atópica (atopia);
- Dermatite alérgica à picada de ectoparasitas (DAPE);
- Hipersensibilidade alimentar.
As alergias podem surgir em diferentes fases da vida, embora a maior parte dos animais apresente os primeiros sinais entre um e cinco anos de idade. Quando não controlada adequadamente, a doença pode favorecer o desenvolvimento de complicações secundárias, como infecções de repetição, inflamações crônicas, desconforto constante, alterações comportamentais e aumento dos níveis de estresse.
O diagnóstico é essencialmente clínico e depende de uma avaliação detalhada do histórico do paciente, dos sinais observados e da exclusão de outras enfermidades que causam sintomas semelhantes. Em alguns casos, exames complementares podem ser recomendados para auxiliar na identificação dos fatores desencadeantes, incluindo testes alérgicos específicos e protocolos de investigação alimentar.
Embora a alergia não possua cura definitiva, atualmente existem diversas opções terapêuticas capazes de proporcionar excelente controle da doença. O tratamento é individualizado e pode incluir medicamentos para controle da coceira e da inflamação, dietas específicas, protocolos de higiene dermatológica, controle rigoroso de parasitas, manejo ambiental e imunoterapia. O objetivo é reduzir a exposição aos alérgenos, minimizar os sintomas e proporcionar maior conforto e bem-estar ao animal.
Cuidados Durante o Banho de Animais Alérgicos
O banho desempenha papel importante no controle das alergias dermatológicas e deve ser realizado conforme orientação veterinária. O intervalo entre os banhos deve ser respeitado rigorosamente, utilizando sempre produtos recomendados para o quadro clínico do paciente.
A água utilizada deve estar em temperatura fria ou levemente morna, evitando calor excessivo que possa aumentar a irritação da pele. Durante a aplicação do xampu, a pele deve ser massageada suavemente com as mãos, sem o uso de unhas ou escovas abrasivas. O produto precisa permanecer em contato com a pele pelo tempo indicado pelo veterinário, geralmente cerca de dez minutos, para que seus princípios ativos atuem adequadamente.
Após o enxágue, a secagem deve ser completa, preferencialmente com toalha e soprador. Caso seja necessário utilizar secador, recomenda-se temperatura morna e distância segura da pele. Regiões como patas, dobras cutâneas e orelhas merecem atenção especial, pois a umidade residual pode favorecer infecções secundárias.
Também é importante evitar perfumes, hidratantes ou produtos cosméticos não prescritos, já que alguns componentes podem agravar a sensibilidade cutânea. A exposição contínua aos alérgenos sem tratamento adequado tende a intensificar os sintomas, aumentando a frequência das crises, o desconforto, a ocorrência de infecções e o impacto negativo na qualidade de vida do animal.
Com acompanhamento veterinário especializado e um plano terapêutico adequado, a grande maioria dos cães e gatos alérgicos pode manter uma vida saudável, confortável e com excelente controle dos sintomas ao longo dos anos.



